Conteúdo que constrói marca (e não só engajamento)

5 min de leitura
Imagem
conteúdo

Você publica. O post recebe algumas curtidas. Um vídeo passa das visualizações de sempre. Uma trend funciona melhor do que o esperado.

Mas, quando chega a hora de olhar para o que realmente importa para o negócio, fica a pergunta: isso está fazendo alguém lembrar da minha marca?

Essa foi uma das provocações que atravessaram um painel conduzido por Priscila Mazoni, Gerente de Growth Marketing na Total Express, com Diego Dourado, Gerente de Growth Marketing no UOL HOST, e Carolina Lima, Sócia e Diretora de Social Media da 8D.Hubify no nosso estande no Fórum E-commerce Brasil 2026.

Ao longo do encontro, os três falaram sobre um desafio que muitas empresas têm de produzir conteúdo que não apenas alcance pessoas, mas ajude a construir confiança, autoridade e, no momento certo, contribua para uma decisão de compra.

Para um pequeno negócio, essa discussão é ainda mais importante. Afinal, quando tempo, equipe e orçamento são mais enxutos, cada conteúdo precisa ter um motivo para existir.

Resumo: neste artigo, você vai entender o papel da humanização, do conteúdo de valor e do uso estratégico da IA na construção de uma marca, além de conhecer métricas como buscas pela marca, compartilhamentos, acessos diretos e share of voice, que ajudam a identificar resultados que nem sempre aparecem imediatamente nas vendas.

Antes de pensar no próximo post, pense no que você quer que lembrem da sua marca.

Existe uma diferença entre produzir conteúdo e construir uma marca por meio do conteúdo. O primeiro começa com uma pergunta como: “Sobre o que vamos postar hoje?”. O segundo começa antes: “Pelo que queremos ser lembrados?”

Para Diego, essa definição precisa vir antes da escolha do formato. Não adianta decidir entre reels, carrossel, artigo ou vídeo se a marca ainda não sabe qual percepção quer construir.

Uma empresa pode querer ser reconhecida por explicar assuntos complexos de forma simples. Outra pode querer ser vista como especialista em determinado problema. Já outra, pode ocupar um espaço mais próximo, mostrando os bastidores de quem está construindo um negócio.

O formato pode mudar, mas a percepção que a marca quer construir precisa ter consistência.

Faça esse teste para saber se seu conteúdo tem identidade.

Carolina trouxe uma provocação especialmente útil para quem trabalha com conteúdo:

se você tirar o logo de uma publicação, ainda dá para saber que ela é da sua marca?

A resposta diz bastante sobre a identidade construída até aqui. Afinal, uma marca não se torna reconhecível apenas pelas cores, pela tipografia ou pelo logotipo. Ela também aparece no jeito de falar, nos assuntos escolhidos, nos exemplos usados, nas opiniões que apresenta e na forma como conversa com seu público.

Isso não significa que todo conteúdo precise ser completamente diferente. Significa que deve existir algo que conecte uma publicação à outra. É assim que a repetição deixa de ser repetitiva e passa a construir reconhecimento.

Humanizar não é parecer informal. É deixar a marca mais verdadeira.

Existe uma tentação de associar a humanização a colocar uma pessoa sorrindo em uma foto ou usar uma linguagem mais descontraída.

Mas, para Carolina, a conexão está na vulnerabilidade, nos bastidores e nas experiências reais.

É o chamado conteúdo “lo-fi”: aquele vídeo mais simples, gravado de maneira natural, que mostra uma pessoa explicando algo, contando um aprendizado ou até dividindo uma situação que não saiu exatamente como planejado.

Para uma pequena e média empresa, tem algo que muitas marcas maiores tentam construir artificialmente: proximidade. Você conhece as dúvidas dos seus clientes, sabe o que costuma dar errado, escuta reclamações, recebe perguntas todos os dias e conhece histórias de quem compra seu produto ou contrata seu serviço.

Tudo isso pode virar conteúdo! Em vez de tentar parecer uma empresa enorme, talvez faça mais sentido mostrar o conhecimento e as pessoas que já existem dentro dela.

E não se esqueça: humanização não é deixar a marca informal a qualquer custo. É fazer com que ela pareça real.

E como saber se tudo isso está funcionando?

Aqui está uma das partes mais difíceis do trabalho de conteúdo: nem todo resultado aparece imediatamente como venda.

Uma pessoa pode conhecer sua marca hoje e só procurar por ela meses depois. Pode assistir a um vídeo, não clicar em nada e comentar sobre ele com um colega. Pode salvar um conteúdo e voltar quando surgir uma necessidade.

Por isso, Priscila, Diego e Carolina também colocam em discussão uma visão mais ampla de mensuração. Além de leads e vendas, existem outros sinais para acompanhar:

  • crescimento das buscas pela marca;
  • acessos diretos ao site;
  • salvamentos e compartilhamentos;
  • retenção dos vídeos;
  • engajamento de pessoas realmente interessadas no tema;
  • percepção e sentimento em relação à marca;
  • presença da empresa nas conversas do mercado;
  • share of voice.

E existe uma métrica simples que muitas empresas ainda subestimam: “Como você conheceu a gente?”

Nem toda influência do conteúdo aparece perfeitamente no Analytics. Às vezes, ela acontece em uma conversa privada, em um grupo de WhatsApp ou em uma indicação.

É o chamado dark social, interações que influenciam a decisão, mas que nem sempre deixam um rastro mensurável para a marca.

Seu conteúdo pode fazer mais do que preencher o calendário.

A conversa entre Priscila, Diego e Carolina deixa uma provocação que vale levar para a rotina: se alguém precisar do que sua empresa oferece daqui a três meses, o que fará essa pessoa lembrar de você?

Talvez seja um vídeo que ensinou alguma coisa, um artigo que resolveu uma dúvida, uma explicação simples para um problema complicado ou uma sequência de conteúdos que, aos poucos, construiu confiança.

Marca forte não costuma nascer de um único conteúdo. Ela é construída na repetição de boas experiências, mensagens coerentes e conversas que fazem sentido para quem está do outro lado.

Por isso, antes de abrir o calendário e pensar no próximo post, vale fazer uma pergunta diferente:

“O que podemos dizer hoje que faça nosso cliente querer ouvir a gente de novo amanhã?”

É aí que conteúdo deixa de ser apenas conteúdo e começa a trabalhar pela marca.

Para você que não teve a oportunidade de assistir essa palestra de perto, é só clicar aqui e conferir as gravações de tudo o que rolou na nossa Arena de Conteúdo.  

Tags: