Os pedidos saem, as promoções movimentam a loja, mas o lucro no fim do mês decepciona. Entender como fazer precificação de produtos ajuda a encontrar onde essa conta começa a desandar, mesmo quando o faturamento cresce.
Afinal, o valor pago ao fornecedor é apenas uma parte do que você gasta para vender. Taxas e condições de entrega também consomem a receita, enquanto os descontos podem apertar uma margem que já era pequena. Para quem vive os desafios do empreendedorismo, conhecer esses custos ajuda a decidir até onde negociar sem comprometer o resultado da loja. Continue lendo!
Em resumo: para fazer a precificação de produtos, você precisa considerar os custos da mercadoria e da venda, a contribuição para as despesas fixas e a margem desejada. Como taxas e frete variam entre canais e pedidos, o mesmo preço pode gerar resultados diferentes para sua loja. Por isso, simule descontos antes das campanhas e compare a margem prevista com os valores recebidos após a venda, lembrando que faturamento alto nem sempre acompanha o lucro.
Quando o preço baixo vira prejuízo?
O preço baixo vira prejuízo quando o valor recebido pela venda não cobre os custos envolvidos no pedido. Mesmo quando sobra algum dinheiro, é preciso verificar se essa parcela contribui para pagar as despesas fixas da loja e gerar o lucro esperado.
Imagine um produto vendido por R$ 100, com R$ 85 em custos de mercadoria, taxas, embalagem e frete subsidiado. Sobram R$ 15 para ajudar a sustentar a operação. Porém, se a loja oferecer um cupom de R$ 20, o pedido já fica no negativo.
Por isso, antes de acompanhar o preço da concorrência, você precisa conhecer o limite de desconto que sua operação suporta.
O que entra no preço de um produto vendido online?
O preço de um produto vendido online precisa cobrir os gastos da venda, contribuir para as despesas da operação e preservar a margem desejada. Por isso, a precificação de produtos exige olhar para o caminho completo entre a compra da mercadoria e o recebimento do pedido pelo cliente.
Para montar essa conta, considere:
- custo da mercadoria ou produção: valor pago ao fornecedor ou gasto para fabricar cada unidade, incluindo o transporte até seu estoque;
- impostos: tributos aplicáveis à venda, conforme o regime tributário e o produto;
- taxas de pagamento: cobranças pelo processamento da compra, parcelamento e antecipação de recebíveis, quando houver;
- comissão de marketplace: percentual e eventuais tarifas cobradas pela plataforma em cada venda;
- embalagem: caixa, proteção e demais materiais necessários para enviar o pedido;
- frete subsidiado: parcela da entrega que a loja paga quando oferece frete grátis ou reduzido;
- descontos e cupons: reduções no valor recebido que precisam caber na margem prevista;
- custo de devoluções e trocas: estimativa baseada no histórico da loja, considerando transporte e possíveis perdas;
- campanhas pagas: investimentos em anúncios relacionados às vendas geradas, sem contar a mesma despesa duas vezes;
- despesas fixas da operação: gastos como aluguel e salários, distribuídos com base em uma previsão realista de vendas;
- margem desejada: percentual que a loja pretende obter de lucro após cobrir os custos e as despesas.
O mesmo produto deve ter o mesmo preço em todos os canais?
O mesmo produto pode ter preços diferentes na loja virtual e nos marketplaces, porque os custos de venda variam entre canais. Antes de manter uma tabela única, compare a margem de cada canal após descontar todos os custos envolvidos na venda.
Em um exemplo hipotético, uma diferença de oito pontos percentuais nas taxas representa R$ 8 a menos por venda de R$ 100. Se o preço for igual, a margem será menor no canal mais caro.
Por isso, calcule o preço mínimo por canal. Você pode manter valores iguais, desde que todos cubram os gastos e preservem a margem definida.
Como o frete muda a conta da precificação?
O frete reduz a margem quando a loja assume parte ou todo o custo da entrega. Como esse valor varia conforme o destino, o peso e as dimensões da embalagem, oferecer o mesmo benefício para todos os pedidos pode comprometer o resultado de algumas vendas.
Por exemplo, se um pedido gera R$ 25 de margem de contribuição antes do frete, subsidiar R$ 18 deixa apenas R$ 7. Esse valor ainda precisa ajudar a pagar as despesas fixas.
Por isso, simule o custo de entrega por região e perfil de pedido antes de oferecer frete grátis. Um valor mínimo de compra pode ajudar, desde que a margem dos produtos vendidos sustente o benefício.
🧮 O frete apertou a margem? Entenda como melhorar a gestão de fretes e identificar oportunidades de economia na sua operação.
Como precificar produtos para atacado ou venda por volume?
Para precificar no atacado ou por volume, defina uma margem mínima e calcule quais economias o pedido maior permite. Vender mais unidades pode aumentar o lucro total, mas o desconto precisa acompanhar uma redução real de custos ou caber na margem disponível.
Se o fornecedor oferece condições melhores para compras maiores, parte dessa economia pode sustentar o desconto ao cliente. Porém, confira também o custo logístico: um envio maior pode exigir outra embalagem ou encarecer o transporte.
O prazo de recebimento também pesa, especialmente quando você paga o fornecedor antes de receber pela venda. Já o giro de estoque ajuda a avaliar a negociação: liberar mercadorias paradas pode ser interessante, desde que o preço preserve o resultado calculado.
📦 Antes de oferecer desconto para liberar mercadorias paradas, entenda como calcular e acompanhar o giro de estoque. Esse indicador ajuda você a avaliar o ritmo de saída dos produtos e planejar a reposição.
Quando revisar o preço dos produtos?
Revise o preço dos produtos sempre que os custos mudarem ou a margem ficar abaixo do esperado. Se o fornecedor reajustou a mercadoria, o frete encareceu ou o marketplace aumentou a comissão, a conta precisa acompanhar essas mudanças. O mesmo cuidado se aplica aos gastos com embalagem e operação.
Mas os sinais também aparecem nas vendas. Sabe aquele produto que sai bastante, mas contribui pouco para o resultado da loja? Ele merece uma revisão. Quando as promoções consomem boa parte da margem ou os clientes compram apenas com desconto, convém conferir se o valor recebido ainda sustenta a venda.
Também acompanhe a faixa de preço dos concorrentes, sem copiar cada reajuste. Antes de mudar sua tabela, compare as condições de entrega e pagamento oferecidas. Assim, você avalia se precisa ajustar o preço ou comunicar melhor os diferenciais que justificam o valor cobrado.
Como criar uma rotina simples de revisão de preços?
Você pode começar com uma planilha e uma revisão mensal, sem conferir todo o catálogo de uma vez. Separe os produtos por prioridade e registre os custos de cada canal. Se algum fornecedor ou parceiro reajustar uma cobrança nesse intervalo, antecipe a revisão dos itens afetados.
Separe os produtos de maior giro
Comece pelos produtos que mais saem da sua loja. Como eles aparecem em muitos pedidos, uma diferença pequena no custo pode pesar no fechamento do mês. Consulte seu relatório de vendas e compare o preço atual com o valor que você pagará para repor o estoque. Se costuma oferecer desconto nesses itens, inclua essa redução na conta desde o início.
Identifique os produtos com menor margem
Sabe aquele produto que vende bem, mas parece render pouco? Coloque esse item entre os primeiros da revisão e confira o que consome a receita. Talvez o desconto tenha ficado apertado depois de um reajuste do fornecedor. Antes de aumentar o preço, porém, procure entender a causa: você pode conseguir uma condição de compra melhor ou rever uma promoção que perdeu o sentido.
Revise custos e taxas por canal
Se você vende na loja própria e em marketplaces, confira os relatórios de cada um separadamente. Compare o valor da venda com o repasse recebido e identifique as cobranças feitas no caminho. Depois, atualize sua planilha com esses valores. Assim, você evita usar uma taxa antiga no cálculo ou oferecer um desconto que só cabe na margem de outro canal.
Simule cenários com e sem frete grátis
Pegue alguns pedidos recentes e refaça a conta como se sua loja tivesse pago toda a entrega. Quanto restaria para cobrir as despesas da operação? Compare destinos diferentes, porque o benefício pode funcionar perto do seu estoque e ficar caro em regiões distantes. A partir daí, teste um valor mínimo de compra, considerando também a margem dos produtos que costumam sair juntos.
Ajuste promoções antes de datas sazonais
Antes de divulgar uma oferta, monte o carrinho como seu cliente faria: aplique o cupom e confira se o pedido também ganha frete grátis. Depois, calcule a margem dessa compra, incluindo o investimento previsto em divulgação. Se o resultado ficar abaixo do seu limite, ajuste as condições antes da campanha. É nessa etapa que você define quais descontos sua loja consegue oferecer.
Acompanhe a margem depois da venda
Quando receber os repasses, volte à planilha e confira se a venda rendeu o que você esperava. O frete custou mais? Houve devolução? Registre essas diferenças para que a próxima simulação fique mais próxima da realidade. E lembre-se: o valor restante após os gastos do pedido ainda precisa ajudar a pagar as despesas fixas, como aluguel e salários, antes de representar lucro.
Para continuar cuidando das contas e da operação da sua loja, acompanhe outros conteúdos sobre e-commerce e logística aqui no blog da Total Express.
Perguntas frequentes sobre precificação de produtos
Qual é a diferença entre markup e margem de lucro?
O markup é um multiplicador aplicado ao custo para calcular o preço de venda. Já a margem de lucro indica qual percentual da receita permanece após descontar os custos e as despesas. A diferença está na base do cálculo: se você acrescenta 50% sobre um custo de R$ 100, chega a R$ 150. Os R$ 50 representam 33,3% do preço, antes de descontar outros gastos.
Como calcular um preço de venda com margem de 20%?
Para calcular um preço com margem de 20%, divida os custos e as despesas por unidade por 0,80, desde que não existam outras cobranças pendentes. Em um exemplo simplificado, R$ 80 divididos por 0,80 resultam em R$ 100. Portanto, acrescentar 20% ao custo não produz uma margem de 20%. Se houver taxas sobre a venda, seus percentuais também precisam entrar no cálculo do divisor.
Existe uma margem de lucro ideal para todos os produtos?
A margem de lucro adequada varia conforme os custos da operação, o segmento e as condições do mercado. Por isso, aplicar um percentual padrão pode levar você a cobrar um preço insuficiente ou difícil de sustentar diante da concorrência. Para definir sua meta, avalie quanto a loja precisa gerar após pagar as despesas e se o volume esperado de vendas torna esse resultado possível.
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