Como os PUDOs estão aproximando a logística do consumidor?

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PUDOs

Por muito tempo, a última milha teve um destino quase óbvio: a porta de casa.

Mas o jeito de comprar mudou. E, com ele, mudou também a expectativa sobre como receber uma encomenda.

Hoje, conveniência não significa necessariamente receber um pedido no endereço cadastrado. Para algumas pessoas, é possível retirar a compra perto do trabalho. Para outras, é escolher um local onde alguém possa receber a encomenda enquanto estão fora. E, quando chega a hora de devolver um produto, é ter um caminho simples para fazer isso.

É nesse cenário que os PUDOs (pontos de coleta, entrega e devolução) ganham espaço.

Essa foi uma das discussões do painel que reuniu Greisieli Uesugui, Gerente de Novos Negócios da Total Express, e Diogo Della Gomes, Co-founder e CEO da Venuxx Technologies, durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026.

A última milha não precisa terminar na porta de casa

A entrega porta a porta continua importante, mas ela não precisa ser a única opção.

Um comércio próximo, uma loja parceira ou um ponto especializado podem assumir uma nova função dentro da cadeia logística de receberarmazenar temporariamenteentregar e também receber devoluções.

Essa mudança parece simples, mas altera a forma como a última milha pode ser desenhada.

Em vez de concentrar toda a operação na chegada de um veículo a cada endereço, os PUDOs criam novos pontos de contato entre a logística e o consumidor.

Isso também traz mais flexibilidade para lidar com diferentes perfis de demanda. Em regiões urbanas, por exemplo, uma rede distribuída pode ajudar a concentrar volumes em locais de maior circulação. Em áreas de acesso mais complexo, pode funcionar como uma extensão da presença logística, levando o serviço para mais perto de quem está distante dos grandes centros.

A lógica passa a ser menos sobre fazer cada encomenda percorrer o mesmo caminho e mais sobre encontrar o caminho que faz sentido para cada contexto.

O que acontece quando um comércio também vira parte da logística?

Um dos pontos levantados por Diogo Della Gomes foi justamente o potencial de aproveitar espaços e horários ociosos de estabelecimentos comerciais. Um comércio que já possui endereço, estrutura e fluxo de pessoas pode também funcionar como um ponto logístico.

Para o parceiro, isso representa uma nova possibilidade de receita e mais movimento no estabelecimento. Já para a operação logística, significa ampliar a presença física sem precisar reproduzir a mesma infraestrutura em cada local.

Mas existe outro efeito nessa relação: o PUDO cria uma conexão entre negócios que antes ocupavam papeis separados. O comércio passa a participar da cadeia logística, a transportadora ganha uma presença física mais distribuída e o consumidor passa a contar com novos locais de interação com sua compra.

E essa mudança já acontece em escala! Em 2025, a Total Express movimentou mais de 4 milhões de pacotes por meio de sua rede de PUDOs, com uma média superior a 50 mil volumes por dia.

O resultado acompanha a expansão da rede de pontos próprios e parceiros indiretos em todo o país.

Tecnologia simples e operação conectada

Quanto mais distribuída é uma rede, maior é a necessidade de manter todas as suas pontas conectadas. É aí que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a sustentar a operação.

Aplicativos, APIs e canais de comunicação como WhatsApp, e-mail e SMS ajudam os pontos a registrar movimentações, acompanhar pedidos e atualizar o status das encomendas. Para o consumidor, isso se traduz em informação na hora certa.

Saber que o pedido chegou. Receber a orientação para retirada. Ter visibilidade sobre uma devolução.

Parece básico, mas essa previsibilidade faz diferença em uma operação que envolve diferentes locais, pessoas e etapas.

A tecnologia também permite que a descentralização aconteça sem perder rastreabilidade. Cada movimentação registrada ajuda a manter a encomenda dentro do radar da operação, mesmo quando ela passa por diferentes pontos.

A rede pode ser distribuída fisicamente, mas a informação precisa circular de forma integrada.

Mais alternativas também significam uma logística mais flexível

Outro ponto importante do modelo é que o PUDO não atende apenas a uma necessidade. Ele pode participar de diferentes momentos da operação, como drop-off, pick-uplogística reversa, entregas após tentativas frustradas e envios entre consumidores.

Essa variedade amplia o papel dos pontos e permite que a rede seja utilizada de acordo com diferentes necessidades.

Nesse sentido, o PUDO deixa de ser apenas um novo destino para a encomenda. É uma nova camada de flexibilidade para a operação.

E se os PUDOs forem além do e-commerce?

Durante o painel, uma pergunta da plateia levou a conversa para outro território: o setor de saúde. A provocação mostrou que o conceito pode ser adaptado de acordo com as necessidades de diferentes operações.

Em setores regulados, por exemplo, a seleção de pontos pode considerar certificações, estrutura e requisitos específicos para determinados produtos.

Isso abre uma perspectiva interessante para o futuro onde redes de PUDOs podem se tornar cada vez mais segmentadas, com pontos preparados para diferentes perfis de mercadoria e necessidades de atendimento.

A expansão, portanto, não precisa acontecer apenas em quantidade. Ela também pode acontecer em especialização.

O próximo ponto pode estar onde ninguém imaginava

Se um comércio pode fazer parte da rede logística, a ideia também pode avançar para outros espaços. Durante a discussão, surgiu uma visão de futuro em que residênciascentros dedicadosaté lojas de marcas podem assumir diferentes funções dentro dessa rede.

É uma mudança que amplia a própria ideia de infraestrutura. Em vez de pensar a logística apenas a partir de grandes centros, galpões e veículos, passa a existir uma rede formada por diferentes pontos, cada um cumprindo uma função dentro de um fluxo maior.

O endereço deixa de ser apenas o destino final. Ele pode se tornar parte da própria operação.

No fim, o que o PUDO realmente muda?

A discussão sobre PUDOs vai muito além de criar novos locais para deixar encomendas.

Ela fala sobre repensar a infraestrutura logística a partir do comportamento das pessoas, das características de cada região e das possibilidades que já existem no território.

O consumidor não precisa necessariamente se adaptar à logística. A logística pode encontrar novas formas de se adaptar à vida do consumidor.

E, quando isso acontece, a última milha deixa de ser apenas o trecho final de uma entrega. Ela passa a ser uma rede de escolhas, conexões e possibilidades.

Talvez a próxima transformação da logística não esteja em construir uma estrutura maior, mas em conectar melhor aquilo que já existe. Porque aproximar a logística do consumidor não significa apenas chegar mais rápido.

Significa estar presente nos lugares que já fazem parte da vida dele!

Para você que não teve a oportunidade de assistir essa palestra de perto, é só clicar aqui e conferir as gravações de tudo o que rolou na nossa Arena de Conteúdo. 

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